Antes das pertinentes críticas porventura vindouras, é preciso lembrar que somos todos políticos. A inesquecível conclusão aristotélica nos alerta que o homem é um animal político por excelência. É no convívio social que nos desenvolvemos e ampliamos nossas potencialidades, assimilando conhecimentos, partilhando experiências e de certa forma contribuindo, cada qual, para a história. Fazemos isso na ocupação de nossos papéis de filho, pai, mãe, empregado, chefe, investidor, deputado, prefeita, etc. A sempre atual lição de Bertold Brecht: "O pior analfabeto é o analfabeto político."*
Em nosso Estado, a heroica Paraíba, talvez nenhuma outra cidade tenha tido um peso político tão significativo quanto Campina Grande. Nem mesmo nossa amada Capital apresenta os números políticos da terra dos tropeiros. Campina Grande, hoje, por meio de seus filhos ou adotados, ocupa um espaço nobre na política paraibana. Uma cadeira do Senado com Vitalzinho, que ironicamente foi apenas o terceiro em votos campinenses. Em verdade, pelo desejo popular deveriam ser dois senadores campinenses, pois Cássio continua em seu calvário processual no STF. São cinco deputados federais campinenses (Agnaldo Ribeiro, Damião Feliciano, Nilda Gondim, Romero Rodrigues e Welington Roberto). Sem falar nos cinco deputados estaduais eleitos (Caio, Daniela, Eva, Guilherme e Manoel) e no Governador que deve seu mandato à Campina Grande, principalmente ao aliado Cássio.
Portanto, inegável que a eleição municipal de Campina interessa ao Estado. E como anda o reino da Borborema? Lá estamos com o Rei Veneziano, que conduz a cidade há seis anos e meio. O rei afirma que sua gestão é inovadora, pautada em novas ideias. Mas no meio de tanta idealização, parece que o monarca esqueceu-se de projetar um sucessor. Nas ruas, no calçadão, na Praça da Bandeira as projeções não são otimistas para a dinastia do “V”. O fantasma da dinastia “Cunha Lima” ronda por meios de espectros como Diogo Cunha Lima, Romero Rodrigues e Rômulo Gouveia. Além disso, a dinastia “Ribeiro”, sinceramente, tem incomodado os planos vitais do Rei Veneziano. Nesse cenário plural, até pequenos partidos já estão animados e prometem fazer barulho. O PRB, por exemplo, já articula dezenas de candidatos a vereador com densidade eleitoral comprovada e todos dispostos a uma candidatura própria ao Palácio do Bispo.E o Rei Vené? O que fará? Tenho medo de que o nosso amigo real perca sua farta e vasta cabeleira sem encontrar uma solução sanguínea para a questão. Veneziano tem tentado, lançou o nome de seu primo Guilherme Almeida. Infelizmente, nossos representantes só creem no sangue como vínculo próprio para o continuísmo de seus projetos. Mas nesse critério, a opção posta por Veneziano não parece ser bem aceita pela população trezeana, quiçá pela campinense, de igual modo.
É o erro da concentração administrativa e da pessoalidade da gestão. O rei da Rainha da Borborema está sem sucessor. Vené se assemelha, nesse sentido, ao Rei Carlos II, espanhol. Tal qual na Espanha do Século XVIII, a Guerra de Sucessão da Borborema está deflagrada. A oposição comemora sedenta. Há um cheiro de uma nova dinastia no ar. Tanto que já se comenta que a dinastia do “V” pode se aliar à dinastia “Ribeiro” para uma saída honrosa. Vené imitaria o Rei Henrique IV de França que, quando necessário, casou sem amor com o inimigo, in casu a Rainha Margot, para manutenção do poder.No entanto, sabemos que a alternância de dinastia não significa, necessariamente, mudança. Pois todos os atores da cena política local já tiveram sua oportunidade e pouco inovaram. Sabemos que o futuro próximo certamente nos reservará surpresas nas coligações, caso sejam permitidas. Esperamos que o futuro esteja de
bom humor e que pelo menos as surpresas sejam positivas. Mea est sic ratio!
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