O brasileiro parece orgulhoso com os últimos acontecimentos econômicos mundiais. Primeiro, a Argentina quebrou. Somos os bons do pedaço sul-americano. Logo eles, tão europeus! Depois, crise mundial e o Brasil só surfando na marolinha. Show de bola! Na economia, pois nos gramados estamos um tanto aquém. Mas, a quanto estamos no desenvolvimento? Será que o primeiro mundo se aproxima?Não sou tão otimista. Nossa educação ainda é um caso de calamidade mundial. Temos milhões de analfabetos e mais outros milhões de analfabetos funcionais. O pior salário público é o do professor. Nossos estudantes só ficam na escola pela merenda, pois assim diminui-se a fome e a desnutrição. Qual o programa governamental que trate da qualidade do nosso ensino? Quantas escolas tem acesso à internet? Bem, se você não sabe, bem-vindo ao clube. Os governos são caixas-pretas, transparência é falácia. Os governantes propagam milhões e milhões de reais em investimentos nos seus discursos, mas onde eles estão na vida real?
Assim, seguimos sem educação. E depois reclamamos da violência. Reclamamos da falta de oportunidade e louvamos a bolsa-família, a maior máquina eleitoral já inventada. Nunca antes, na história desse país, o pão e circo foi tão eficiente. A bancada da Paraíba, por exemplo, destina boa parte de seus recursos para as nossas festas populares. Viva São João! Viva o Folia de Rua! A sociedade brasileira se entrega no mínimo. A picuinha é o espelho da nossa alma. Discute-se a mosquinha na sopa, mas ignoram-se as toneladas de feijão despejadas no lixo. Somos assim, pedimos que a humanidade nos reconheça como potência econômica, queremos um assento no Conselho de Segurança da ONU, mas não acabamos com a matança de desfavorecidos na terra e na pobreza que ocorre em nosso quintal, além de convivermos com uma nefasta descriminação de gênero e em razão de opção sexual.
A nossa elite é uma comédia. Perambulam como outdoors ostentando as marcas mais caras, mas estacionam seus carros de luxo na vaga do deficiente ou do idoso. No Unipê, estaciona-se no meio das ruas, nos contornos, pois não se quer caminhar 100 metros a mais por um agradável ambiente limpo e seguro. Todo lugar é lugar, mas não sobra lugar para os bons modos. A educação não tem onde estacionar. É a cultura do “Eu quero, eu tenho, eu posso”. Se outro fez uma vez, eu endosso. “Bom dia”, “com licença”, “pois não” e “por favor” vão se tornando especiarias raras. O egoísmo predomina. É cada um por si, pois Deus perdoa a todos.
Eita saudade de Crispim! Professor elegante que ensinava que a educação podia ser elevada a condição maior do caráter humano. Falávamos em desenvolvimento. Mas de que vale o desenvolvimento material sem a evolução do espírito? A mim não apetece a conquista unilateral daquele. Mas vamos caminhando, nem que seja exercitando nossa paciência sedenta de educação. Mea est sic ratio!
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